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Desafio desenvolvido por laboratório de neurociência envolve população no mapeamento de neurônios da retina. No futuro, tecnologia poderá ser usada para mapear todo o cérebro.

Jogo Sério

Jogo Serio

Cada neurônio saudável estabelece conexões com milhares de outros. Entender como funciona a passagem de informação por essas ligações é muito importante para a neurociência. Contudo, o mapeamento de uma só célula neural em laboratório leva mais de 50 horas. E nós temos mais de 85 bilhões delas! Não há cientista que dê conta de tanto trabalho.

A equipe do Laboratório de Neurociência Computacional do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) bem que tentou. Mas o desafio era muito difícil, o que acabou dando origem a uma ideia ainda melhor.

Inspirados pelos jogos virtuais que vêm fazendo sucesso, os pesquisadores da instituição pensaram em uma forma de unir o útil (ou, no caso, imprescindível) ao agradável. Eles inventaram um jogo, o Eyewire, para mapear os neurônios da retina.

Não é preciso saber algo de ciência ou de neurônios para jogar. Basta ter disposição. A primeira etapa é um tutorial que ensina o jogador a localiza um neurônio no mapa neural. Depois, a fase divertida começa: os usuários tentam identificar neurônios inéditos embaralhados a vários outros, ou seja, participam do progresso da ciência de verdade.

Por se tratar de uma tarefa nunca feita antes, não existe um gabarito para as respostas dos jogadores. Vários usuários trabalham os mesmos neurônios e o software do jogo cruza as respostas para apontar o mapeamento mais correto. Não adianta simplesmente ir inventando respostas, pois a inteligência artificial do jogo monitora o tempo e o desempenho do jogador e descarta os ‘chutes’.

No jogo, cada pedacinho da retina é dividido em cubos, que são resolvidos um por vez. Cada cubo contém em média 1.500 partes de neurônios embaralhadas. A tarefa do jogador é identificar toda a extensão espacial de cada parte de neurônio dentro do cubo. Para isso, o usuário deve analisar o cubo em fatias e colorir a área correspondente a cada pedaço de neurônio.

Uma célula neural está distribuída, em média, por 1.500 cubos. Conforme os jogadores avançam na identificação das partes de neurônios nos cubos, mais perto se chega do mapeamento de um neurônio completo.

A equipe disponibilizou o jogo para o mapeamento do nervo óptico e os números já são impressionantes. São 80 mil jogadores em mais de 130 países e um milhão e meio de cubos resolvidos. Mais de mil neurônios!

Os pesquisadores acreditam que o projeto poderá ajudar muito a ciência. Mais do que simplesmente utilizar os mapeamentos realizados pelos jogadores, a inteligência artificial do jogo é aprimorada pelas ações de cada usuário, para que também possa, sozinha, mapear os neurônios. Hoje isso ainda não é possível, porque sua capacidade de detecção dos neurônios é inferior à nossa.

No futuro, o projeto poderá gerar um software capaz de mapear neurônios de forma autônoma, o que significará um grande passo na direção do mapeamento completo e detalhado do cérebro. Um sonho para a neurociência que ainda está distante… Mas, enquanto isso, nós jogamos.

(fonte: cienciahoje.uol.com.br, texto: Isadora Vilardo, imagem: Google Imagens)

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